O trem apita na Ferrovia, quase não o consigo ouvir do meu quarto de hotel. Abro a janela para que apite mais alto. Deixo soar seu apito, deixo entrar sua insistência estridente e o vento se enfia pela fresta descoberta. Faz frio em Curitiba e o velho céu continua acinzentado.

Já cumpri com meus compromissos e agora nada resta a não ser rememorar os dias passados.

– A noite é uma criança, me diz um luminoso piscante.
– Já cresci há eras, me lembra o relógio intransigente.

Não estou em casa, não há praias por aqui. Mas há poemas, e escritores, e amigos e cafés…
Curitiba é também minha terra. Não fossem as saudades daqueles olhos de planetas, quem sabe estaria em casa agora…

(…)

Esses pinheiros centenários, essa neblina branca e densa. Penso em quanto conhece estas madeira, quanto já viram da história desta nação submissa e estranha.

É hora – de novo este relógio insistente – fecho a janela para que não entre mais o vento.
A esta altura já não há mais apito e tudo em que consigo pensar é na sabedoria estóica daqueles pinheiros centenários.

=Dom