Dom Will

Ars Gratia Artis

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Etimologia da selva

De como um velho perdeu um porto e
um porto ganhou um velho para chamar de seu…

Um taxista me contou, e os taxistas sempre sabem das coisas, que o nome desta cidade nasceu da supressão dum adjunto adnominal restritivo de posse.

Dizia que, antes de Porto Velho ser conhecida, havia um rio, um velho e um porto. O caso é que o velho morava solitário próximo ao porto, e sempre que os viajantes desejavam atracar por estas bandas, usavam a expressão: “- vamos ao porto do velho”. A medida que as barbas do velho cresciam a expressão se propagava entre os barqueiros, e por fim, quando o velho jazia sem barbas e sem espírito a expressão se eternizou.

Como no norte, semelhantemente ao nordeste, há um enorme senso de urgência no falar, tudo precisa ser comunicado com o menor emprego possível de palavras. E, por respeito as leis da eficiência, foi-se cortando tudo o que não era essencial – cortou-se o “do”. O velho, que “in memoriam”, já não se importava em ser lembrado, deixou de existir também na expressão, perdeu seu porto e o porto, que de velho não tinha nada, ganhou um “velho” para chamar de seu.

Depois de toda esta confusão, quem agora ostenta as barbas brancas é o Porto, que já não é mais porto, mas cidade. Do velho ninguém mais lembra. O rio segue seu curso caudaloso e o “do” que foi suprimido, ficou na história, afinal, quem mesmo precisa de um adjunto adnominal restritivo de posse!?

=Dom

Repente na mente

Pandeiro, esperança, viola;

As palmas não forram os pratos,
Crepitam imensa fogueira no ar…

Esperança, viola, pandeiro;
O povo na praça, a praça no povo,
O dia na noite, o sertão no luar;

Pandeiro, viola, esperança;
O gado não morre, a chuva não falta,
O bucho não ronca e o sertão vira mar;

=Dom,
(da Série Cantando o Brasil)

Repentinamente

Repente na mente, o poeta do povo,
De repente, cobre de cores os rostos
Sofridos da gente da seca, da fome, do sertão…

=Dom

Porto Alegre

O porto encontrei,
O alegre ainda procuro

Uma infusão interminável
De cores, cheiros e sons

Prostitutas com pouco pano
E pouca beleza balançam as bolsas
E exibem as pernas

Negrinhos sem futuro ou esperança
Fumam num canto da praça

E eu, que já visitei o porto
E o rubro estádio internacional

Procuro sob as lajotas
O alegre do qual falava Mario Quintana…

=Dom

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