Dom Will

Ars Gratia Artis

Mês: novembro 2013

Mea Culpa

Por entre a turba,
enlouquecido, buscava
os olhos de minha morte.

Em mim, calado,
Vociferavam idéias infames.
Me faltava calma,
Me sobrava culpa.

O vil “modus operandi”,
sempre.
Ali, a metros de mim,
Meu destino…

Tocam, ecoam…
É chegada a hora,
“Mea culpa”,
Me entrego…

De minha sorte, o tempo
De minha morte, os olhos.

=Dom

Sumiu-se o desgraçado

Não tinha estrelas, o céu.
Jazia numa escuridão estranha,
Quase achei que fosse noite.

Não era noite, apenas faltava-me o sol.
Embrenhara-se por entre as nuvens e sumira
Saudades do desgraçado.

Mas de todo, a maior dor não foi sua falta.
Latejava-me a alma, de fato
o escuro que ainda estava por vir.

=Dom

Silência

Minha voz é um canto rouco
um silêncio louco
de poucas notas,
de muitos tons

Minha voz é de um
canto engasgado
de um grito acanhado
o timbre negado
de todos os sons

Minha voz é silêncio
e silente sigo…
Minha voz é verbete
e silente grito!

=Dom

Duplo sentido

Eu que me fui abandono,
esperança e desespero.
Da pele marcada,
Forjei o duplo sentido.

Por ser, não sendo,
Armado e mortal,
Em tempos de paz,
Feri minha carne
Com a rubra loucura
De ser ironia
Poética e viva.

Da língua afiada,
espada vermelha forjei.
Poema sangrento
De corpo, pele e paixão.

=Dom

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